As primeiras referências aos Manoki datam de 1910 e foram registradas pelo Marechal Rondon. Em meados da década de 40, reduzidos por massacres cometidos por seringueiros, conflitos com povos vizinhos e doenças, os Manoki, em sua maioria, se dirigiram para a missão de Utiariti. Sua população chegou a ser de 52 pessoas e na maioria masculina. Em 1968, estimulados pelos missionários jesuítas de Utiariti, os Manoki deixaram o internato e se estabeleceram na atual T.I. Irantxe. %20[].JPG)
O crescimento populacional voltou a crescer devido principalmente aos casamentos intertribais (são hoje uma população de quase 400 pessoas, distribuída em seis aldeias) o que, por outro lado, prejudicou o uso cotidiano da língua nativa (classificada como língua isolada) e produziu interferências diretas nos modos de organização e na dificuldade de dar continuidade à realização de diversas práticas sociais e rituais. Esse conturbado e complexo processo histórico está caracterizado por inúmeras tentativas de integrar esse povo à uma identidade nacional, desfavorável a manutenção e reprodução de seus próprios referenciais físicos e culturais.
A T.I. demarcada tem área de 45.555,95 hectares, situada à noroeste do Mato Grosso, entre as cidades de Campo Novo do Parecis e Brasnorte. A vegetação é predominantemente de cerrado, posto que as áreas tradicionalmente ocupadas, formadas por mata de galeria em transição para floresta amazônica entre os rios Cravari e Sangue, ficaram de fora do traçado da demarcação.
No cenário regional observa-se o uso de tecnologias de alto impacto ambiental negativo, promovendo intensa transformação no bioma do cerrado e florestas, configurando um cerco de monocultura de soja em torno dos Manoki que, diante da desertificação de suas terras, tornaram-se, por um bom tempo, trabalhadores das fazendas vizinhas como principal meio de garantir sua subsistência, inviabilizados de manter suas estruturas econômicas e simbólicas diante de uma paisagem desoladora.
Breve histórico do Projeto
Os primeiros contatos da OPAN com o povo Manoki se deram no inicio da década de 70, em parceria com os trabalhos desenvolvidos, na época, pela Missão Anchieta – MIA. A partir de 1978, com o fechamento da MIA, a OPAN não se manteve mais diretamente em trabalho com os Manoki até o ano de 1999, quando é criado o Projeto Kiwxi que propunha ações integradas junto aos povos Myky, Manoki e Enawene Nawe.
A OPAN retomou o trabalho com os Manoki efetivamente no ano 2000, através da atenção à saúde desse povo por meio do convênio com a FUNASA e os incluiu no “Projeto de Apoio ao Trabalho com Povos Indígenas no Mato Grosso”, com o desenvolvimento de programas na área de economia, defesa do território e apoio às formas próprias de organização interna, realizando atividades como cursos de horticultura, fruticultura, avicultura e apicultura, dentre outras.
Atualmente, os resultados desse processo apresentam-se na consolidação do programa de apicultura, implantada e em franco desenvolvimento. O domínio das técnicas de produção atingiu um estágio de qualidade que fez de alguns Manoki instrutores em cursos para outros povos. Ultimamente os produtores vêm sendo assediados por vários compradores em potencial de seu mel, mas, com algumas exigências, as quais os Manoki estão procurando se adequar para oportunizarem esse tipo de empreendimento.
Com o apoio da OPAN os Manoki encetaram um movimento pela ampliação de sua terra, através da retomada de parte de seu território tradicional. Os esforços junto aos órgãos públicos resultaram na criação de um GT, que apresentou um relatório de identificação da área pleiteada.
Através da associação indígena Watoholi, os indigenistas da OPAN atuaram em conjunto com os Irantxe nas atividades de reocupação da terra tradicional reivindicada, por meio de expedições de caça e pesca, plantio de roças e construção de casas tradicionais viabilizadas pelo PDPI no financiamento do Projeto de Defesa e Proteção da Terra Manoki.
O Presente: ações em curso
• Terra:
Apoiar as iniciativas e modelo de gestão dos Manoki na reocupação do território tradicional.
• Economia:
Estimular as atividades ligadas à segurança alimentar dos Manoki (piscicultura, apicultura e agricultura)
Contribuir com a formação de uma rede de comercialização dos excedentes de produção como forma de geração de renda
Apoiar o processo para certificação SIF do mel Manoki
• Educação:
Continuar a fomentar a discussão sobre política lingüística, o estudo e o uso da língua Manoki.
Assessorar a construção do Projeto Político Pedagógico da Escola Manoki (Escola Estadual Indígena Tapurá de Ensino Médio e da escola de Ensino Fundamental)
Realização de intercâmbios culturais e do cine-clube como recurso pedagógico, informativo e de formação permanente com capacidade de abrangência coletiva (apoio LISA - USP com doação de acervo)
Finalização das oficinas de audiovisual com o filme de registro do Yaculi
Acompanhamento e auxílio na produção do curta metragem Mopo’i (MINC/OPAN)
• Formação Política:
Promover o fortalecimento das suas instituições tradicionais.
Capacitar os dirigentes da Associação Watoholi para a autonomia de sua gestão administrativa e política