29-31 agosto 2010: SEMINÁRIO "INTERFACES ENTRE TERRAS INDÍGENAS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO" - Jutaí, AM








Deni

As terras do povo Deni, com cerca de 1,53 milhões de hectares, vem sofrendo também o assédio de pescadores que desrespeitam seus limites territoriais. Em 1996 a madeireira WTK e sua subsidiária brasileira Amaplac compraram 313 mil hectares na região, sendo quase a metade incrustada no território Deni.  

Breve histórico do Projeto

Para se antecipar à instalação na região do alto Cuniuá da madeireira asiática WTK, a OPAN, Greenpeace e o CIMI-Norte I propuseram iniciativas para favorecer a participação ativa do povo Deni no processo de demarcação e defesa de suas terras. Ao lado das iniciativas relacionadas à demarcação das terras, um diagnóstico preliminar identificou alternativas para fazer frente à dependência futura do empreendimento madeireiro e a espoliação dos recursos naturais nas terras indígenas.

A demarcação Deni faz parte de um longo processo, iniciado com a primeira identificação da TI, realizada nos idos de 1984. De lá para cá, a floresta tem sido explorada de várias formas insustentáveis – como, por exemplo, a exploração de madeira, do pau-rosa, da copaíba e da pesca. Em muitos casos, os índios eram aliciados, sendo que a moeda de troca era constituída por produtos superfaturados.

Greenpeace se envolveu com a demarcação Deni em 1999, durante investigação da compra de 313 mil hectares de floresta pela gigante madeireira malaia WTK, que pretendia explorar madeira para a produção de compensados destinados à exportação. Durante a investigação de campo, Greenpeace descobriu que boa parte das terras compradas pela WTK se sobrepunha ao território Deni – eram, na verdade, terra indígena, que não poderia ser negociada.

Os líderes Deni aguardavam desde 1985 a demarcação de sua terra e já haviam perdido a crença em soluções oficiais. Alertados sobre a invasão de seu território, eles pediram ajuda ao Greenpeace para proteger seu território. A primeira tentativa foi acompanhar o trâmite do processo de identificação para que os prazos fossem cumpridos e a demarcação fosse realizada até 2001. O não-cumprimento dos prazos e acordos fez com que os Deni decidissem realizar eles mesmos a demarcação.

A partir da determinação dos Deni, Greenpeace convidou as organizações indigenistas CIMI (Conselho Indigenista Missionário) e OPAN (Operação Amazônia Nativa), e as organizações indígenas COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) e UNI-Tefé (União das Nações Indígenas de Tefé) para, juntos, formular um projeto que capacitasse os próprios Deni a delimitar os limites tradicionais de sua terra e, assim, comandar o processo demarcatório. Em 2001, uma equipe multidisciplinar trabalhou durante seis meses diretamente com líderes de todas as oito aldeias Deni. Eles aprenderam a manusear instrumentos como teodolitos, bússolas e GPS (equipamento de posicionamento por satélite), e adquiriram uma idéia muito clara das fronteiras de sua terra.

O presente: ações em curso

Atualmente, o trabalho com este povo indígena se insere no âmbito do Projeto Aldeias - Conservação na Amazônia Indígena.
 
 
 


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