29-31 agosto 2010: SEMINÁRIO "INTERFACES ENTRE TERRAS INDÍGENAS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO" - Jutaí, AM








Maraiwatsede

Uma história comovente: expulsos dos seus territórios, os Xavante são hostilizados numa terra demarcada no coração da devastação da floresta amazônica.

 

No início dos anos 60, Ariosto da Riva implanta a Fazenda Suia-Missú (1 milhão de hectares) na terra Xavante de Maraiwatsede. Em 1966, SPI e FAB transferem 300 xavante à Missão Salesiana de São Marcos. Na operação morrem 90 índios. Outros se dispersam por fazendas de MT, GO, MG e por outras terras xavante.

 

Posteriormente a multinacional italiana AGIP compra a Fazenda Suiá da família Ometto. Na ECO-92 no Rio de Janeiro, a AGIP “devolve” a terra aos Xavante. Políticos e fazendeiros do Araguaia promovem a ocupação, fundam o município de Alto Boa Vista e impedem a retomada Xavante.

 

2003: Os anciões insistem para que os jovens organizem a reocupação, liderada por Damião. Após 9 meses acampados à beira da estrada, os Xavante se estabelecem na Fazenda Caru. Ocupam apenas o 15% da terra demarcada. Homero Pereira tramita no Congresso um Projeto contra a TI, e defende a criação do município de Estrela do Araguaia no coração da terra de ocupação tradicional e histórica dos Xavante.

 

 

Breve histórico do Projeto

 

Em razão do contexto mencionado acima e da gravidade da situação hoje vivenciada pelos Xavante de Maraiwatsede, esse projeto é de origem recente, através de uma parceria firmada em 2008 com a ANSA e nasce do desafio de atuar conjuntamente com esse povo, buscando formas de reestruturação de suas condições de existência física e cultural. A ANSAfoi fundada por Pedro Casaldáliga junto com outros militantes, na época da ditadura militar, e desde a sua criação foi uma instituição de solidariedade a serviço da dignidade, dos direitos e da construção da cidadania dos povos indígenas, posseiros e ribeirinhos. Possui atuação históricana região do Baixo Araguaia situada na Amazônia Legal entre os rios Araguaia e Xingu.

 

Após um diagnóstico realizadopela ANSA, Associação Terra Viva e OPAN, constata-se anecessidade de aumentar a produção de alimentos, numa aldeia em área altamente degradada com uma população de 700 habitantes e com índices significativos de desnutrição infantil. Verifica-se a falta de áreas amplas de floresta para praticar o modelo indígena de roça itinerante, e a ausência de sementes; além do fogo criminoso provocado pelos fazendeiros sobre o entorno da aldeia, há constantes queimadas nas capoeiras próximas à aldeia, o que provoca o empobrecimento permanente dos nutrientes.

 

O Presente: ações em curso

 

·    Fortalecimento da segurança alimentar e apoio ao banco genético da agricultura a’uwe.

·    Implantação de quintais produtivos com diversificação de frutíferas no entorno da aldeia

·    Diversificação dos cultivares nas lavouras mecanizadas

·    Introdução de práticas de apicultura

·    Apoio a viagens dentro da TI Maraiwatsede em locais significativos do universo simbólico e da memória da ocupação tradicional de seu território histórico.

 


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