Os Katukina denominam-se Tuküna e representam uma das unidades sociais da sociedade maior dos Kanamari, habitantes tradicionais das bacias dos rios Juruá, Juta
í e Javari, afluentes da margem direita do rio Solimões. A população atual soma aproximadamente 500 pessoas, distribuídas em 5 aldeias (Surucucu, Bacu-ri, Janela, Gato e Boca do Biá), localizadas ao longo do rio Jutaí, do rio Biá e do igarapé Ipixuna, no estado do Amazonas. Trata-se de uma região característica de floresta úmida.
Antes do contato desagregador, pela empresa seringalista, os Katukina e Kanamari distribuíam-se pela região em unidades ou grupos chamados Dyapa. Sua língua foi classificada como da família Katukina. Cada Dyapa se distinguia pela denominação (de um animal ou planta) e pleno ideal de autonomia na produção e reprodução, mantendo-se basicamente endogâmicos. Em comum, compartilhavam a cultura, a língua e certas relações rituais. Interagiam também com outros povos circunvizinhos. Acredita-se que o primeiro contato com o mundo não-indígena data da época da borracha (finais do século XIX). Apesar de longo, o contato não tem sido muito intenso e os Katukina mantêm a sua língua e a sua cultura bem viva, realizando rituais com grande freqüência.
Os Katukina vivem com abundância de caça, de pesca e de frutas silvestres. Além disso, fazem grandes roçados onde plantam macaxeira, mandioca, cará, milho, abacaxi e caju, entre outras coisas. Isto lhes dá grande autonomia a nível alimentar. Para a construção das suas casas, canoas, cestos, arcos e flechas, remos e maqueiras também recorrem principalmente a materiais do mato. No entanto, existem pressões predatórias de corte seletivo de madeira, da pesca (de pirarucu, de peixe-liso, de aruanã, de peixes ornamentais), caça comercial e de garimpagem (com a subseqüente poluição causada pelo mercúrio).
A terra Katukina é de modo geral bem preservada. A Terra Indígena do Biá se encontra numa região bem preservada
do Corredor Central da Amazônia e com 1.185.792 ha, constitui uma parte importante desse mosaico de áreas de conservação. Ao Norte, a TI faz limite com a Reserva Extrativista (RESEX) de Jutaí, no sudeste ela faz limite com a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Cujubim e no oeste ela faz limite com a RESEX do Médio Juruá.
Breve histórico do Projeto
A OPAN, que esteve diretamente envolvida no processo de demarcação da TI Biá, realizado em 1987, atualmente executa várias atividades que têm como objetivo preservar a terra tradicional dos katukina. A implementação de novos programas de manejo florestal de baixo impacto (seringa, copaíba) contribuiu para minimizar a pressão das forças produtivas regionais sobre os recursos naturais da TI Biá. Este produtos aumentam a renda recebida pelo povo, aumentando a garantia de segurança alimentar e a sua autonomia.
Desde 1987 entre os Katukina, inicialmente o principal objetivo do projeto da OPAN era dar assistência à saúde. Ao longo do tempo a equipe foi ampliando o leque de linhas de atuação, incluindo uma campanha pela demarcação da Terra Indígena e posteriores ações de vigilância, atividades de alfabetização em língua indígena, oficinas de capacitação e projetos de alternativas econômicas.
A demarcação da terra indígena foi seguida por um programa de vigilância e fiscalização desenvolvido pela OPAN em conjunto com os Katukina e financiado pela FUNAI/PPTAL (Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal).
Em conjunto com a organização Amigos da Terra, a OPAN instalou uma rede de radiofonias com 19 equipamentos, ligando as aldeias dos povos Katukina, Kanamari e Kulina. Hoje em dia o rádio é o principal meio de comunicação dos Katukina com os povos indígenas vizinhos e com os órgãos públicos atuantes na sua área.
A partir de 2004, com a parceria da Conservação Internacional / Brasil, o Projeto “Conservação da Terra Indígena Biá” focou sua atuação em três eixos: proteção territorial, sustentabilidade e capacitação.
O presente: ações em curso
Atualmente, o trabalho com este povo indígena se insere no âmbito do Projeto Aldeias - Conservação na Amazônia Indígena.